Madonna e o Cinema - Por André R. Costa

6/19/2010 04:34:00 da manhã 1 Comments

Olá gente!

Sim, ainda estou por aqui, peço que desculpem esta minha ausência contudo a falta de tempo e o trabalho não me têm deixado debruçar com mais dedicação sobre as colunnas aqui do site…Ossos do ofício.

Como já repararam, a colunna insere-se hoje na sétima arte, e a relação que esta tem com Sua Majestade e vice-versa. Irei portanto, abordar um tema e área cada vez mais querida à Rainha: o cinema.

Polivalente como a conhecemos, nunca poderíamos imaginar que Madonna só iria basear a sua carreira em torno da música. Assim, sempre pronta para agarrar novos desafios, Madonna aceita o grande desafio do cinema.

Tudo começa em 1985 com uma pequena presença no filme Vision Quest, contudo a sua presença é muito mais notória na comédia Desperately Seeking Susan, onde Madonna interpreta (como não poderia deixar de ser) uma rapariga rebelde, e audaz. Apesar de não interpretar o papel principal, este foi visto por muitos como uma boa acção de marketing para promover o filme. “Into The Groove” faz parte da trilha sonora do filme, e com ele consegue o seu primeiro Top 1 no Reino Unido. Apesar de não ter tido um sucesso vincado, o filme acabaria por ser falado em todo o mundo pela simples presença da Rainha. Apesar de tudo, a longa metragem, acabaria por ser nomeada para o César do Melhor Filme Estrangeiro, e a própria crítica do NYTimes considerou-o como um dos melhores filmes de 85.


Já em 1986, mais apagada visualmente da grande tela, Madonna fez uma pequena aparição no filme Shangai Surprise, e inicia a sua incursão no mundo do teatro na área de produção em peças, onde o seu marido Sean Penn também estava presente.

Em termos musicais a presença de músicas de Madonna eram uma constante nos filmes dos finais da década de 80. Madonna participa em “Who’s That Girl” filme no qual entram quatro músicas originais da Rainha, da qual destaco “Causing a Commotion”.
Após uma pequena paragem, Madonna regressa ao cinema em 1990, no filme Dick Tracy onde interpretou o papel de “Breathless” (tradução complicada em português!), para o qual lançou a banda sonora do filme “I’m Breathless” que incluia hits como Vogue ou Sooner or Later.

Com a Blond Ambition Tour, Madonna estreia-se nos documentários. Aparece o polémico “In Bed With Madonna” que pretendia seguir e explorar os backstages da tour, e a vida normal de Madonna durante o tempo da tournée. O documentário mítico hoje em dia, foi altamente polémico na altura, devido a alguns reparos feitos por Madonna durante o documentário, à sua relação com os bailarinos; e a famosa cena da garrafa de água… Polémica feita = produto vendido a nível mundial.

Em 1992, Madonna regressa aos ecrãs, no filme “A League of Their Own” como Mae Mordabitom uma jogadora de basebol. Para o efeito, Madonna grava a famosa “This use to be My Playground” que alcançou mais uma vez o primeiro lugar de muitos tops mundiais. Em 1993, Madonna continua activamente presente no grande ecrã entrando nos filmes “Body of Evidence” (polémico pelas cenas de sadomasoquismo e bondage) e Dangerous Game; ambos os filmes foram alvo de críticas negativas. A Madonna actriz não convencia o público nem a opinião pública. Apesar de todas as suas incursoes pela sétima arte, Madonna continuava a ser vista como a cantora polémica de sempre, sendo muitas vezes esquecida a sua faceta de actriz.

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Cansada de ser ignorada nos diversos papéis interpretados, Madonna decide dedicar-se a sério à sétima arte, dedicando-se totalmente ao filme que a consagraria como actriz: Evita. Este foi sem dúvida o seu papel de sempre. Ainda hoje em dia, Madonna é recordada como tendo desempenhado uma papel fantástico e tocante no filme. No entanto, parte da população Argentina estava contra a escolha de Madonna para interpretar um símbolo tão amado como era Evita Perón. A ideia de ver uma pessoa tão polémica a todos os níveis como era Madonna a interpretar um papel tão importante e significativo para o povo argentino, desagradou a muitos sectores da opinião pública. Madonna, em diversas conferências de imprensa foi alvo de perguntas polémicas sobre esse facto.

Apesar de tudo, M guardara sempre uma postura profissional, afirmando que, não a poderiam julgar sem ver o filme antes, já que ela não misturava as coisas… E assim foi. Evita é ainda hoje um filme mítico. Apesar de não ter tido um sucesso absoluto, a prestação de Madonna convenceu, e comoveu. As músicas interpretadas por esta são ainda hoje mundialmente conhecidas, e a sua prestação nos óscars (onde fora nomeada para melhor actriz) foi considerada uma das dez prestações mais marcantes de toda a história das estatuetas de ouro. Com este papel Madonna ganhou um Globo de Ouro para Melhor Actriz, sendo que a música “You Must Love Me” ganhou um óscar para Melhor Música Original.

Madonna acabaria deste modo por cumprir um dos seus objectivos de sempre. O de ser respeitada e considerada no mundo da sétima arte.
Assim, só em 1999 é que Madonna voltaria a reparecer na tela, em “Austin Powers : The Spy Who Shagged Me”. A música composta para o filme “Beautiful Stranger” acabaria por ganhar um Grammy para a Best Song Written for a Motion Picture. Em 2000, M entrou no filme “The Next best Thing”, filme que chegara ao top 2 na primeira semana de estreia nos EUA. Madonna contribuiu com duas músicas originais: “American Pie” e "Time Stood Still".

Já casada com mais uma pessoa ligada ao cinema (Guy Ritchie), Madonna entra em 2001 no filme realizado pelo próprio marido “Swept Away”; que estreou directamente em vídeo. Muitos críticos dizem que este foi um dos piores papéis de Madonna. As vendas foram um fracasso. No mesmo ano, Madonna relança a sua presença na grande tela, com uma saga de Bond, onde desempenha um papel secundário. “Die Another Day” título da música feita para o filme acabaria por chegar ao número 8 do Billboard Hot 100 e fora nomeado para um Globo de Ouro. A partir deste Madonna acaba por parar por uns tempos com a sétima arte, preferindo mais tarde adoptar um novo papel: o de realizadora.

Em 2004 sai o documentário “I’m Going to tell you a secret”, que se insere na mesma linha do anterior “In Bed With Madonna”; pretendendo seguir a vida de M durante a Re-Invention Tour. O documentário não contém quase nenhuma polémica sendo muito mais calmo, e retratando uma Madonna mais adulta, segura e calma, já em pleno na Kabbhala.
Cansada de estar sempre em frente à camara, Madonna decide descobrir o trabalho de dirigir, escrever e realizar; gosto incutido pelo seu marido Guy Ritchie, que lhe foi dando dicas ao longo dos anos.
Assim, em 2008 Madonna lança, ao abrigo do seu programa de ajuda “Raising Malawi o documentário “I am Because We Are”, que retrata as realidades pobres do Malawi, das suas crianças e dos pais infectados pelo virus da HIV. Um documentário comovente, simples e real. O documentário obteve óptimas reacções no mundo, obtendo 4 estrelas em 5. A Madonna realizadora dava pouco a pouco provas da sua nova reinvenção.

A sua primeira longa metragem apareceria também nesse ano “The Filth and Wisdom”, onde a sua banda de amigos dos Gogol Bordello assumem papéis centrais, num filme que pretende retratar as diversidades de uma sociedade, onde alguns protagonistas desejam salvar crianças em África (onde é que eu já ouvi isto?).
As críticas até foram positivas, sendo que os jornais e reviews mais rigorosas congratularam Madonna pelo seu trabalho como iniciante.
Já este Verão Madonna prometeu voltar por detrás da câmara realizando um novo filme.
Tristes ficam com os fãs, já que dedicando-se mais à sétima arte, a música fica de lado. Assim é Madonna, em várias frentes, cameleónica procurando fazer de tudo, e fazer bem e tendo sucesso.

Assim, como vimos a incursão cinematográfica de Madonna não se limita a Evita, mas começou bem mais cedo já em 1985. O gosto pelo cinema foi crescendo, até chegar ao gosto pela realização, não será portanto de estranhar, que Madonna escolheu por duas vezes como parceiros, pessoas ligadas ao cinema: Sean Penn, e Guy Ritchie…Nada é feito por acaso.

Resta desejar sorte para o próximo filme, e pedir por favor, que para 2011 Madonna nos ofereça mais um fantástico álbum, não acham? :P

Por aqui fico.
Até à próxima!

André R. Costa